Coccidiose, Frangos de Corte, Postura Comercial, Sanidade

Coccidiose aviária: a importância do teste de sensibilidade nesta enfermidade

Conhecer o valor do teste de sensibilidade aos anticoccidianos é uma vantagem competitiva importante para a indústria avícola. A possibilidade do uso inadequado de produtos veterinários, como anticoccidianos, antimicrobianos, fungicidas, inseticidas e outros, intensifica a perda da eficiência dos mesmos ao longo do tempo.

A enfermidade é causada por um protozoário do gênero Eimeria e afeta o aparelho digestivo das aves, mais especificamente o intestino e o ceco, causando diarreia com muco ou sangue. A ocorrência da coccidiose no campo, tanto pode ser resultado da perda de sensibilidade ao anticoccidiano usado, como de erros no processo da fábrica de ração (seja por baixa inclusão do medicamento, erros de mistura e outros).

Como solução do primeiro caso, a única forma de determinar qual é a droga mais efetiva no controle de uma coccídea presente em determinado lugar, é fazendo o isolamento desses parasitas intestinais e desenvolvendo provas de sensibilidade diante de vários anticoccidianos.

A coccidiose aviária e o teste de sensibilidade

Os testes de sensibilidade a anticoccidianos, também conhecidos como AST (anticoccidial sensitivity test), fornecem dados para ajudar a elaborar e aperfeiçoar programas de anticoccidianos em frangos de corte. A efetividade de diversos produtos pode ser avaliada por meio de análises de ganho de peso, CA (conversão alimentar), mortalidade e escores de lesão para cada Eimeria.

Em função de uma maior disponibilidade de recursos e proximidade entre a indústria farmacêutica e as universidades, essa prática das provas é realizada com maior frequência nos Estados Unidos e Europa para encaminhar a escolha do anticoccidiano a ser administrado. No entanto, no Brasil, essa ferramenta vem sendo pouco utilizada, e a equipe técnica da Zoetis trouxe o AST ao país, de modo a ajudar na proteção e melhoramento dos resultados zootécnicos e financeiros dos produtores.

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Logo, assim como os antibiogramas são uma importante ferramenta para o monitoramento da resistência de bactérias aos antimicrobianos, os testes de sensibilidade são um essencial apoio para o controle da eficácia dos anticoccidianos frente às coccídeas. Essa prática oferece uma importante pista e bases mais racionais para a escolha dos anticoccidianos específicos, representando um grande suporte estratégico no controle da coccidiose.

Frangos de corte

AST realizado na prática

Para a execução dos testes de sensibilidade aos anticoccidianos, é necessário cumprir alguns passos. O primeiro deles é a coleta de fezes em uma integração de frangos de corte. Após esse recolhimento, os oocistos são purificados e identificados quanto à espécie para, mais tarde, passarem por um processo de esporulação e quantificação, de modo a formar o inóculo. Depois, esse inóculo é então experimentalmente administrado em aves por via oral (gavagem).

As aves dos tratamentos ficam em gaiolas suspensas e livres de coccídeos, com um controle negativo e outro positivo que servem de parâmetro de comparação. Cada tratamento desse teste é composto por quatro repetições e seis aves por gaiola.

Cada uma delas, então, recebem rações medicadas com anticoccidianos nas suas doses padrão, de acordo com a bula de cada produto. Aos 21 dias de idade, todas as aves são pesadas. Além disso, é pesada a sobra de ração por gaiola e calculada a conversão alimentar. No mesmo dia, todas os animais são avaliados e classificados, conforme escore de lesão para Eimeria alvo. Dessa forma, os dados zootécnicos e de escores de lesão permitem a comparação de diferentes anticoccidianos diante do desafio local.

As provas de sensibilidade podem ser planejadas com intervalos de seis meses, sendo que a grande vantagem será determinar como está o controle das coccídeas frente aos anticoccidianos e diagnosticar a resistência antes que se torne um problema. Os resultados do AST são justamente para escolher alternativas de drogas mais efetivas para os próximos programas, identificando o obstáculo do controle da coccidiose antes que alcance uma dimensão maior.

Para conferir sobre esses e mais temas, continue acompanhando os posts no blog!

Nota:

O mesmo assunto discutido nessa publicação do blog foi veiculado no site da Avicultura Industrial. Confira aqui!

Autor:

Eduardo Muniz – Médico-Veterinário | Me. | Dr. | Gerente de Serviços Técnicos e Outcomes Research – Aves