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Como diagnosticar e controlar as enfermidades causadas pelo reovírus?

Tanto nos casos de artrite viral como nos de síndrome da má absorção, o diagnóstico presuntivo pode ser feito considerando o histórico da granja, os sinais clínicos e as lesões encontradas, além dos testes laboratoriais. Porém as lesões não são características e podem se assemelhar às causadas por Staphylococcus aureus e Mycoplasma synoviae.

A confirmação pode se dar através do isolamento, considerado padrão-ouro, que deve ser feito a partir de amostras de tendões, traqueia, fígado, bolsa cloacal, rins, baço, intestino e fezes. Exames histopatológicos podem contribuir muito para confirmação da suspeita. Testes sorológicos também são de grande utilidade, visto que são mais rápidos e práticos, onde anticorpos específicos contra reovírus podem ser prontamente identificados pelo teste da precipitação em gel de ágar e ELISA.

Não há tratamento específico para a Reovirose. Deve-se tratar possíveis quadros bacterianos secundários, mas a prevenção se mostra como ponto fundamental para o controle da enfermidade. A biosseguridade é um dos pilares para a prevenção dessa doença. A limpeza e a desinfecção das instalações devem ser realizadas com muito critério, e com desinfetantes sabidamente eficazes. É necessário conhecer a origem dos pintos que serão trazidos para a granja, para evitar introduzir aves já infectadas por transmissão vertical. O ideal é adquirir pintos de matrizes livres da doença e que tenham níveis satisfatórios de anticorpos (proteção passiva).

Os vírus de RNA possuem característica de mutação de ponto, que é relativamente comum no ARV. Novas cepas podem surgir a partir de linhagens cocirculantes, o que impacta de forma negativa a eficiência dos programas vacinais, visto que as cepas vacinais protegem apenas sorotipos homólogos. As vacinas disponíveis atualmente compreendem 4 cepas diferentes (S1133, 1733, 2408 e 2177), que pertencem ao patotipo I. Porém, devido à variabilidade genotípica e antigênica das cepas de campo, as cepas vacinais não são capazes de promover uma imunidade totalmente adequada para 100% das situações.

Ainda assim, a imunização é uma ferramenta de controle bastante eficaz. Uma estratégia bastante eficaz é o uso de duas ou até três cepas vacinais no programa de profilaxia para ampliar a abrangência de proteção. Aves de 1 dia de idade são mais suscetíveis aos sorotipos patogênicos e vão se tornando mais resistentes à infecção de acordo com a maturidade do sistema imune. Portanto programas de vacinação devem privilegiar a proteção efetiva nos primeiros dias de vida das aves. O programa tradicional de vacinação das matrizes contempla a utilização de vacinas vivas durante a recria e vacinas inativadas no período anterior à produção de ovos. A primovacinação com vacinas vivas proporcionará maiores níveis de anticorpos nas matrizes, além de maior homogeneidade desses títulos, favorecendo assim a transferência de proteção passiva em níveis mais adequados, afinal os anticorpos maternos são altamente efetivos quando correspondem à amostra prevalente na região.

Normalmente recomenda-se uma vacina viva da primeira à quinta semana de vida, com revacinação ao redor da décima semana, além de uma vacina inativada antes da produção (entre 17 e 20 semanas) podendo ser associada a outras vacinas oleosas. A vacinação das matrizes, aliada a uma boa limpeza e desinfecção dos ambientes de criação, possibilita a diminuição da pressão viral e do desafio de campo por reovírus. Regiões de alto desafio podem utilizar a estratégia de hiper-imunização das matrizes com duas doses da vacina inativada para produzir e transferir altos níveis de anticorpos à progênie.

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Autor:

Eduardo Muniz – Médico-Veterinário | Me. | Dr. | Gerente de Serviços Técnicos e Outcomes Research – Aves