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Conheça algumas das principais doenças que ameaçam a saúde de um rebanho leiteiro

Doenças infecciosas são comuns nos animais e comprometem a produtividade; saiba o que fazer para evitá-las

Diversas doenças podem comprometer a sanidade do rebanho leiteiro. Muitas delas não podem ser tratadas ou têm tratamentos complexos, exigindo medidas preventivas como vacinação, conforto e higiene do ambiente. Veja algumas das principais doenças infeciosas que atacam o rebanho leiteiro.

Diarreia Viral Bovina (BVD)

A BVD é uma doença presente em todo o mundo e é causada por vírus que pertence à família Flaviriridae gênero Pestivirus, com importante impacto econômico na atividade leiteira. A doença instalada no rebanho pode ocasionar sintomas reprodutivos como abortos, natimortos, má formação fetal e absorção embrionária.

Além dos sintomas reprodutivos, a doença também pode levar os animais a um quadro de imunossupressão, abrindo portas para outras doenças (respiratórias, digestivas, etc.), diminuir a produção de leite e aumentar a contagem de células somáticas (CCS) no leite. Se o animal for infectado com o vírus e estiver saudável, pode não apresentar sinais da doença (casos subclínicos) e, mesmo assim, elimina o vírus no ambiente, contribuindo para a contaminação de outros animais.

As principais vias de eliminação do vírus são secreções nasais, saliva, fezes e urina. O vírus também pode estar no sangue, sêmen, secreções uterinas e placenta. A transmissão horizontal ocorre através da ingestão ou inalação de partículas virais diretamente provenientes de um animal contaminado, ou através de qualquer objeto capaz de absorver, reter e transportar o vírus de um indivíduo a outro. Em rebanhos onde os animais não tiveram nenhum contato prévio com o vírus, desprovidos de qualquer tipo de imunização, podem ocorrer surtos esporádicos com altas taxas de aborto após a infecção inicial.

As principais consequências da BVD, no entanto, acontecem nos animais gestantes - e elas são diferentes de acordo com o período de gestação das vacas infectadas.

Infecções durante os primeiros 40 dias de gestação podem resultar na morte dos embriões e em abortos. Entre 40 e 120 dias de gestação a mãe transmite o vírus para os bezerros, que nascem portadores da BVD e transmitem a doença para o resto do rebanho por toda a vida - sendo por isso chamados persistentemente infectados (PI). Estes animais são uma fonte importante de transmissão viral para os animais susceptíveis, pois através deles se dá a manutenção do vírus no rebanho. Calcula-se que mais de 95% das infecções pelo vírus da BVD tenha origem a partir de animais persistentemente infectados. A presença de animais PI altera significativamente a dinâmica da infecção na população. Apesar de muitos dos animais PI nascerem aparentemente saudáveis, é frequente o aparecimento de uma doença altamente fatal caracterizada por uma diarreia profusa, com erosões na mucosa digestiva destes animais. Muitos animais PI, no entanto, não desenvolvem esta enfermidade e persistem por toda a vida infectados num estado de viremia constante, eliminando continuamente o vírus sem nenhuma sintomatologia clínica. Se a infecção ocorre entre os 120 e os 160 dias de gestação, os bezerros podem nascer com má formação fetal e outros defeitos congênitos; a partir dos 160 dias, os impactos são menores ou quase nulos, com bezerros nascendo normalmente saudáveis.

O diagnóstico pode ser feito através dos sinais clínicos típicos de doença respiratória viral, incluindo febre, depressão, inapetência e secreção nasal, seguidos de diarreia vários dias após o início. Feridas e úlceras na boca e nas gengivas podem estar presentes, juntamente com a redução da produção de leite. O isolamento do vírus do sangue, leite e tecidos é muito útil no diagnóstico da BVD.

Além desses problemas a BVD compromete o sistema imunológico dos animais, aumentando suas chances de contrair outras bactérias e vírus. Por isso é extremamente recomendado que o produtor implante um programa de vacinação efetivo contra essa doença.

A BVD está bastante disseminada nos rebanhos brasileiros, porém ainda é baixo o conhecimento dos produtores a seu respeito.

Rinotraqueíte Infecciosa Bovina (IBR)

As infecções por IBR, também conhecido como “herpes vírus bovino”, resultam em vacas com três quadros diferentes de sinais clínicos: respiratórios, oculares e reprodutivos. O quadro reprodutivo é provavelmente o de maior impacto na lucratividade, consistindo em abortos, infecções nos órgãos genitais, mortes embrionárias, retorno ao estro e infertilidade.

A transmissão do vírus pode ocorrer por meio de contato direto com secreções nasais dos animais infectados, ingestão de água e alimentos contaminados ou de forma venérea, tanto por meio da monta natural quanto pela inseminação artificial. O maior problema deste agente viral é sua permanência pois, uma vez que se infecta, o animal permanece portador do vírus por toda sua vida, elevando seu potencial de transmissão no rebanho. Um dos fatores de risco para o IBR é a idade do animal e as situações de confinamento e transporte.

A vaca gestante com IBR pode abortar ou parir bezerros mortos. Além disso, as infecções nos órgãos genitais dificultam a reprodução.

Desta forma pode-se perceber que o grande problema da existência desta doença no rebanho são os prejuízos econômicos. Assim, é importante ressaltar a importância da instituição de um bom programa de vacinação para evitar a disseminação da doença no rebanho.

Vírus Respiratório Sincicial Bovino (BRSV)

O Vírus Respiratório Sincicial Bovino (BRSV) é uma causa importante de doença respiratória, principalmente em bovinos jovens, caracterizada por pneumonia intersticial.

A distribuição das infecções pelo BRSV é mundial e o vírus foi identificado em diferentes situações no Brasil. Ele ataca as células que revestem o trato respiratório. Normalmente essas células são recobertas por cílios que auxiliam a eliminar o muco, patógenos e partículas microscópicas de sujeira dos pulmões. Com a infecção esses cílios podem ser destruídos e as células subjacentes devastadas. Assim, um trato respiratório desprotegido é um local ideal para o crescimento secundário de bactérias e vírus e subsequente infecção.

A transmissão ocorre através da ingestão ou inalação de partículas virais diretamente provenientes de um animal contaminado ou por contato direto com o mesmo.

O diagnóstico pode ser feito em sinais clínicos típicos de doença respiratória viral, incluindo febre, depressão, inapetência, secreção nasal, tosse espontânea e aumento da frequência respiratória.

Leptospirose

A leptospirose é uma doença bacteriana conhecida por atingir também os seres humanos. Nos bovinos é uma das mais importantes e dispendiosas doenças que contribui com perdas reprodutivas significativas. Sua transmissão acontece pelo contato direto da pele do animal e de outras mucosas com a bactéria.

Esta infecção, na maioria dos casos, não é percebida clinicamente. Em alguns casos, podem ser observados febre alta, inapetência, depressão, anemia, icterícia e urina muito escura, condição conhecida como hemoglobinúria. Na reprodução, a leptospirose resulta em infertilidade, abortos, natimortos ou bezerros fracos, geralmente em várias vacas no rebanho.

O diagnóstico é difícil devido à frequente ausência de sinais clínicos. A melhor forma de identificação é através dos testes laboratoriais que acusam a presença de anticorpos contra Leptospira em amostras de leite do tanque e análises individuais dos animais através de soro e urina.

A melhor forma de lidar com o problema da leptospirose é a prevenção, feita através da vacinação de todos os animais da propriedade.

Parainfluenza tipo 3

É uma doença viral de fácil propagação, especialmente em ambientes fechados de confinamento e situações de estresse do animal, estando muitas vezes associada à IBR e BDV. Os animais com esse vírus podem apresentar febre, tosse e dificuldade respiratória– que pode evoluir para pneumonia, em casos graves.

A prevenção possibilitada pela vacinação correta do rebanho assegura ao produtor a proteção desejada e a produtividade dos animais.

Brucelose

É uma doença infectocontagiosa provocada por bactérias do gênero Brucella. Trata-se de uma zoonose por produzir infecção nos animais e no homem. Na pecuária leiteira ela causa abortos, repetições de cio, nascimentos prematuros e queda na produção de leite. Ela gera prejuízos econômicos significativos na pecuária leiteira relacionados à diminuição da eficiência do rebanho. Alguns resultados de pesquisas mostram que a brucelose pode ser responsável por reduzir aproximadamente 25% da produção de leite e até 15% dos nascimentos de um rebanho infectado.

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