Frangos de Corte, Postura Comercial, Sanidade

Quais as características e comportamentos do reovírus a campo?

Os reovírus pertencem à família Reoviridae, onde os membros do gênero Orthoreovirus representam as maiores ameaças para a avicultura. Curiosamente, esses vírus foram identificados no trato respiratório e nas fezes de aves antes mesmo de se conhecer a patologia causada. Por isso, foram chamados de REOvírus (Respiratory and Entheric Orphan vírus).

O agente é um vírus não envelopado, com RNA de fita dupla, segmentado, envolto por um capsídeo duplo de natureza proteica e simetria icosaédrica, que mede aproximadamente 80 nm de diâmetro.  O genoma é composto por 10 segmentos de RNA, agrupados em 3 classes, de acordo com o tamanho: 3 grandes (L – large), 3 médios (M – medium) e 4 pequenos (S – small) .

O segmento S1 do genoma codifica a proteína viral sigma C, que é uma proteína de ligação celular e a que mais sofre variação devido à pressão imunológica que enfrenta. Essa região é utilizada para caracterizar e classificar os ARVs em diferentes grupos genótipos/patotipos. As cepas de ARV também têm sido classificadas em diferentes genótipos/grupos, de acordo com a diversidade na sequência de nucleotídeos e aminoácidos. Estudos filogenéticos baseados na região sigma C classificam os ARVs em 6 linhagens filogenéticas distintas (I a VI).

Algumas cepas virais podem ser associadas a diferentes quadros clínicos da doença, como exemplos, cepas S1133 e UMI 203 estão associadas a tenossinovites; 2408 e 1733 estão associadas a má absorção e tenossinovite; CO8 e 305, a má absorção; ss412, a má absorção e proventriculite.

O vírus é altamente resistente, podendo resistir por 10 horas à 60°C, 16 semanas à 37ºC e mais de 50 semanas à 22ºC. Ele também pode resistir a pH 3 e à desinfecção com formalina 3%. É sensível ao iodo 0,5%, ethanol 70% e peróxido de hidrogênio 5%.

A Síndrome da Má Absorção, também chamada de Síndrome de Refugagem, acomete aves jovens (entre 1 e 3 semanas) e  se caracteriza principalmente pela apatia e falta de mobilidade das aves, desuniformidade de lotes, deficiência de pigmentação, problemas ósseos, aves com penas eriçadas e com plumagem molhada, além de uma intensa diarreia e da presença de alimento parcialmente digerido nas fezes.

Isso acontece devido à degeneração das vilosidades intestinais ocasionada pelo quadro de enterite. Por isso, é comum encontrarmos nesses quadros alto grau de emplastramento de cama, devido à diarreia e ao intenso agrupamento das aves. Nessas situações podemos ter em torno de 30% das aves acometidas e a mortalidade pode chegar entre 5 e 10%.

Conheça nossas soluções de controle dos Reovírus, por meio de vacina viva e inativada.

A transmissão desse agente pode acontecer por via horizontal e vertical. A via horizontal é muito importante nas 3 primeiras semanas de vida das aves, quando elas são suscetíveis. Por isso, a imunidade materna pode funcionar como uma barreira à transmissão vertical do agente, além de fornecer a proteção necessária às primeiras semanas de vida das aves. Existem diferenças na capacidade de disseminação lateral de cada um dos sorotipos, porém é importante lembrarmos que o reovírus pode ser excretado, tanto pela via intestinal quanto pela respiratória, por pelo menos 10 dias após a infecção, mas a principal forma de transmissão horizontal é a fecal. Além disso, o agente pode persistir nas tonsilas cecais e articulações por longos períodos, principalmente em aves infectadas precocemente, favorecendo a presença de aves portadoras como potencial fonte de infecção.

A transmissão vertical se mostra como a principal forma de disseminação do vírus. Ela ocorre pela contaminação dos ovos durante a fase aguda de viremia e de forma intermitente durante o período de produção. Quando transmitido por essa via, o agente se localiza principalmente nas superfícies articulares, onde causa lesão da cápsula articular. Essa infecção é controlada, porém não ocorre a cicatrização completa da lesão. Dessa maneira, o aumento do peso das aves e a consequente sobrecarga na área previamente lesionada, favorecerem a entrada de patógenos secundários, que podem levar a uma artrite supurativa.

O período de incubação do agente pode ser variado e depende do sorotipo viral envolvido, idade e condições clínicas do hospedeiro e via de infecção. No caso da artrite viral, o período de incubação varia de 9 a 13 dias, enquanto na síndrome da má absorção, ele varia de 7 a 10 dias. Não podemos esquecer que muitas vezes as infecções são inaparentes e, portanto, caracterizadas apenas por provas sorológicas, histológicas e/ou isolamento viral.

Autor:

Antonio Kraieski – Médico-Veterinário | Msc. | Serviços técnicos – Aves