Frangos de Corte, Postura Comercial, Sanidade

Quais as consequências do Reovírus para a produção avícola?

Um dos principais problemas causado pelo Reovírus aviário (ARV) é a artrite aviária, também conhecida como tenossinovite infecciosa. Esse problema articular é uma das principais causas de condenação de carcaça no abate e, dependendo da severidade da lesão, as aves afetadas podem ter dificuldade de caminhar, resultando em piora no crescimento, conversão alimentar e até morte.

Criado há pelo menos 2 anos, o PoultryView 360 (PV360) consiste em um aplicativo para iPad e Tablet, em que é possível inserir informações diversas do lote, como programa vacinal, programa de anticoccidianos e aditivos, além de um checklist de necropsia completo e personalizável de acordo com o interesse de investigação. Nesse checklist, que possui fotos para auxiliar na determinação dos escores, são englobados todos os sistemas das aves (tegumentar, locomotor, respiratório, intestinal e imunológico).

Além disso, o ARV está associado a diferentes quadros patológicos como distúrbios entéricos e respiratórios, hepatite, hidropericárdio, miocardite, pericardite e pancreatite. Isso ocorre também pelo fato do reovírus aviário ser um agente imunossupressor, principalmente quando associado a outros patógenos como os vírus da doença de Gumboro, Marek, anemia infecciosa das galinhas, doença de Newcastle, além de interações com micotoxinas. Porém, normalmente esse agente está associado a dois quadros principais: a artrite viral (AV) e a síndrome da má absorção (SMA).

Diversos relatos têm alertado para a associação do Reovírus com outros agentes, como Astrovírus e Rotavírus, resultando na manifestação de síndromes digestivas que levam a perdas na performance. A Reovirose é mais comum do que se imagina, com sinais variados, inespecíficos e que muitas vezes podem ser confundidos com outras doenças, sendo difícil quantificar o prejuízo real que esse agente causa à avicultura industrial, mas é evidente que a incidência da enfermidade têm aumentado nos últimos anos e, consequentemente, sua importância econômica também.

A artrite viral pode ser causada por diferentes sorotipos de reovírus e pode acometer frangos de corte, reprodutoras (leves e pesadas) e perus. Essa doença afeta principalmente frangos de corte com aproximadamente quatro a oito semanas de idade e se manifesta principalmente na articulação tíbio-társica, com inchaço e edema das bainhas dos tendões. Em matrizes pesadas, atinge principalmente a articulação tibiotarso-tarsometatarso, tendão do gastrocnêmio e flexor digital. Os machos são acometidos entre 12 e 16 semanas de idade. Nessas situações encontramos exsudato purulento nas articulações, inflamação dos tendões flexores ou extensores, erosões e hemorragias da cartilagem articular, edema das bainhas dos tendões társicos e metatársicos (endurecimento/crônico).

Médica-veterinária segurando aves de corte

A Síndrome da Má Absorção, também chamada de Síndrome de Refugagem, acomete aves jovens (entre 1 e 3 semanas) e  se caracteriza principalmente pela apatia e falta de mobilidade das aves, desuniformidade de lotes, deficiência de pigmentação, problemas ósseos, aves com penas eriçadas e com plumagem molhada, além de uma intensa diarreia e da presença de alimento parcialmente digerido nas fezes.

Isso acontece devido à degeneração das vilosidades intestinais ocasionada pelo quadro de enterite. Por isso, é comum encontrarmos nesses quadros alto grau de emplastramento de cama, devido à diarreia e ao intenso agrupamento das aves. Nessas situações podemos ter em torno de 30% das aves acometidas e a mortalidade pode chegar entre 5 e 10%.

Conheça nossas soluções de controle dos Reovírus, por meio de vacina viva e inativada.

Médica-veterinária segurando aves de corte

Autor:

Antonio Kraieski – Médico-Veterinário | Msc. | Serviços técnicos – Aves