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O impacto da coccidiose na avicultura industrial

Para se ter mais ideia da dimensão da doença, os custos anuais relacionados à coccidiose são estimados na casa dos 3 bilhões de dólares, divididos em profilaxia (18%) e em perdas subclínicas, ganhos de peso e conversão (82%). Nesse contexto, o intestino das aves assume o papel de protagonista, pois a maior parte do gasto da produção avícola passa pelo intestino, já que cerca de 70% do custo total da produção é proveniente da ração.

Esse cenário reforça a importância de se conhecer melhor as Eimerias e como funcionam, para que a meta de controle da doença seja mais factível e resulte provavelmente num bom desempenho zootécnico. Assim, para começar a entender as Eimerias:  são monóxenos e desenvolvem parte do seu ciclo no hospedeiro e parte fora dele. Esse ciclo, então, é constituído de algumas fases: assexuada dividida em esporogonia (meio ambiente) e esquizogonia (ave); e fase sexuada, gametogonia (ave).

Mais especificamente, sendo da seguinte forma: 1ª fase Esporogonia – 2ª fase: Excistação – 3ª fase: Invasão da célula – 4ª fase: Merogonia ou esquizogonia – 5ª fase: Gametogonia – 6ª fase: Fecundação – 7ª fase: Transmissão (ambiente).

Além disso, como é de se imaginar pela proximidade do nome, a coccidiose é causada por coccídios, que são parasitas microscópicos e protozoários do   gênero Eimeria. Os coccídios são resistentes e se reproduzem rapidamente e em grande número. Por exemplo, apenas um oocisto coccidiano pode produzir mais de 500.000 descendentes em apenas de 4 a 7 dias. Os oocistos prosperam em ambientes quentes e úmidos, embora a coccidiose acabe sendo uma ameaça para as granjas de aves o ano todo e em climas áridos.

A contagem de oocistos fecais é geralmente baixa nas duas primeiras semanas após o alojamento das aves, porém, se eleva rapidamente nas 2-3 semanas seguintes, atingindo o pico de excreção de oocisto nas fezes das aves aos 28 dias, aproximadamente. E a contagem só reduz ao passo que as aves desenvolvem imunidade. Outro ponto negativo é que, como os parasitas são tenazes e prolíficos, sua erradicação das granjas de aves se mostrou praticamente impossível.

Nesta tabela abaixo, é possível verificar os picos de excreção das diferentes Eimeiras. Estes picos acontecem em períodos diferentes devido ao período pré-patente de cada espécie.

Uma imagem contendo mapa, texto

Descrição gerada automaticamente

As principais Eimeiras para a avicultura industrial são: Eimeria acervulina, Eimeria maxima, Eimeria tenella, Eimeria brunetti e Eimeria necatrix.  Cada espécie de Eimeria possui algumas particularidades, como local do intestino de predileção, características e severidades das lesões. Esses impactos afetam a qualidade intestinal e prejudicam a absorção de nutrientes, impactando diretamente no desempenho das aves.

Diante de tudo isso, fica mais do que claro de que se conhecer o ciclo das Eimerias, então, se torna imprescindível, assim como entender qual espécie é mais prevalente na integração. Somando isso, a escolha das ferramentas de controle se torna mais muito assertiva.

 Autor:

Gleidson Salles, MSc, Médico-Veterinário, Serviços Técnicos Zoetis

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