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Qual a participação do metapneumovírus aviário nos plantéis de aves brasileiros?

O Metapneumovírus Aviário (mPVA) é um dos agentes associados aos casos de Síndrome da Cabeça Inchada (SCI) em galinhas e perus. Essa enfermidade é relatada em todo o mundo e conhecida pela sua grande importância devido aos prejuízos que causa às criações avícolas.

Tradicionalmente, os perus são reconhecidos pela elevada susceptibilidade a este agente infeccioso. Entretanto, a relação desse agente com surtos de SCI em matrizes, poedeiras comerciais e frangos de corte está sendo cada vez mais verificada.

Não existem sinais patognomônicos para infecções por mPVA e são muitos os agentes que podem causar sintomas e lesões semelhantes (apatia, redução de consumo de alimento e água, queda na produção de ovos, hiperemia da conjuntiva ocular e edema periorbital). Além disso, esses quadros clínicos normalmente estão relacionados a mais de um agente associado. Desta forma, o diagnóstico laboratorial é fundamental para a confirmação de uma suspeita.

Em geral, o isolamento do mPVA em galinhas não é fácil, pois o período de replicação deste vírus na ave é curto e, normalmente, ocorre antes do aparecimento de sinais clínicos mais evidentes. Ou seja, especificamente para o mPVA, é possível prever que vão existir muitos Falsos Negativos (PCR) de casos comprovadamente positivos na Sorologia, já que aves com cabeça inchada não vão ter mais o vírus nas vias aéreas superiores. Por outro lado, a realização de ensaios sorológicos, como os testes de ELISA (Enzyme-linked Immunosorbent Assay), tem se mostrado ferramentas muito práticas para o diagnóstico deste e outros agentes avícolas, desde que as amostras sejam colhidas adequadamente.

Qual a participação do metapneumovírus aviário nos plantéis de aves brasileiros?

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As enfermidades respiratórias normalmente são resultantes de causas multifatoriais e se comportam como síndromes ou complexos respiratórios, porém, a determinação do elemento principal é fundamental para elaborar uma estratégia de ação. Por exemplo, a vacinação no primeiro dia de vida contra o metapneumovirus aviário é a melhor opção para minimizar prejuízos econômicos oriundos do desafio por este agente.

Não são raras as regiões onde percebe-se enfermidade respiratória em frangos de corte com implicação negativa em resultados zootécnicos. No entanto, muitas vezes, o claro diagnóstico em relação ao metapneumovírus não é realizado e o agente fica subestimado. Prova disso, é que a vacinação em frangos de corte, em regiões com presença desse desafio, costuma resultar em melhoria significativa dos resultados. Por conta de a administração da vacina viva atenuada em frangos de corte ser uma ferramenta viável nessas condições, pode e deve ser feita de maneira prática no incubatório, no primeiro dia de vida da ave, juntamente a outras vacinas aplicadas por spray.

Autor:
Eduardo Muniz – Médico-Veterinário | Me. | Dr. | Gerente de Serviços Técnicos e Outcomes Research – Aves