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Entendendo o agente causador da Colibacilose

Para se começar a entender a E. coli, ela é uma bactéria Gram negativa pertencente à família Enterobacteriaceae, que possui metabolismo respiratório e fermentativo e não forma esporos. A maioria das amostras é móvel e cresce em temperaturas que variam entre 18° e 44º C, multiplicando-se em ambientes com pH entre 4,5 e 9,0.

Tradicionalmente, as amostras de E. coli vem sendo classificadas em sorogrupos e sorotipos baseando-se na presença de diferentes antígenos em sua superfície. Atualmente, com o desenvolvimento das técnicas de caracterização molecular, as amostras são classificadas de acordo com os seus mecanismos de virulência, que são determinados pela presença de genes relacionados à patogenicidade (capacidade de causar enfermidade) de cada amostra. Assim, se chama de patotipo um grupo de bactérias que possua um determinado conjunto de elementos comuns, que lhe permita causar uma enfermidade.

Muitos estudos estão sendo publicados com o objetivo de demonstrar a presença de genes que codificam características responsáveis pela virulência em amostras de E. coli. Algumas vezes, esses genes estão presentes nos plasmídeos, que são estruturas de DNA independentes do DNA cromossomal. Tais plasmídeos podem carregar informações responsáveis pelas características que provocam as doenças (Plasmídeos de Virulência) ou que lhe permitam resistir a determinados agentes antibacterianos (Plasmídeos de Resistência – “R”).

Por meio de um processo conhecido como conjugação, uma E. coli, que normalmente não seria capaz de provocar lesões e resistir a um determinado antibiótico, pode receber um ou mais plasmídeos de uma outra E. coli, se tornando uma bactéria patogênica e resistente a algumas drogas. Essa capacidade de transferência de informação genética da E. coli, associada ao uso indiscriminado de antibióticos, pode estar contribuindo para o aumento da presença de amostras patogênicas e resistentes em nossas instalações avícolas.

Entendendo o agente causador da Colibacilose

Amostras de E. coli estão normalmente presentes no trato entérico das aves e acredita-se que essa bactéria, em situação de equilíbrio, seja benéfica impedindo a colonização do epitélio por microrganismos patogênicos. Entretanto, estima-se que de 10 a 20% das amostras de E. coli presentes no trato digestivo das aves são potencialmente patogênicas (APEC’s). Desta forma, é possível concluir que, mesmo as aves sadias estão constantemente eliminando APEC’s no ambiente, o que mantém uma população constante desta bactéria nas granjas e propicia a ocorrência de casos de Colibacilose.

Autor:
Gleidson Salles – Médico-Veterinário | Me. | Assistente Técnico