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Qual o papel das vacinas no controle do “velho coronavírus aviário”?

O controle da Bronquite Infecciosa das Galinhas (BIG) está relacionado com a prevenção da infecção dentro do lote e, portanto, está fundamentado na vacinação das aves criadas em regiões endêmicas. Impedir a transmissão para outros lotes e para outras granjas por meio de medidas de manejo e vacinação, já que este vírus é altamente invasivo, disseminando-se rapidamente no organismo da ave, é um importante fator de sucesso.

No início de 1950, a primeira vacina contra o VBI (Vírus da Bronquite Infecciosa) foi desenvolvida nos EUA, usando a estirpe do Van Roekel M41 (Mass). Por volta dos anos 1960, foi diagnostiado VBI na Holanda, fato que levou ao desenvolvimento, pelos veterinários holandeses, de uma vacina com base em um VBI isolado no país e conhecido como a cepa H sorotipo Mass (Massachussets). A letra'' H'' refere-se ao nome do criador de galinhas (Huyben) que, isolado, foi utilizado para fazer a vacina e não, como muitas vezes se pensa, para o país Holanda.

Mais para frente, as vacinas resultantes, denominadas H120 e H52, logo se tornaram amplamente utilizadas, com a vacina H120 sendo, sem dúvida, a mais utilizada em todo o mundo hoje. Em várias partes do mundo, inclusive no Brasil, a maioria das vacinas permitidas para uso são os sorotipos Massachussets, porém, em outros lugares vacinas de um ou mais sorotipos são permitidas.

Vacinas de um certo sorotipo ou genótipo normalmente são capazes de proteger as aves, desde que bem feita a vacinação, contra um desafio homólogo. Neste contexto, uma ave bem vacinada está protegida contra o desafio com uma cepa virulenta homóloga do VBI. Existem muitos sorotipos de VBI, nesses animais, com baixa imunidade cruzada entre eles. Isso significa que, de maneira geral, um tipo de vírus não é capaz de imunizar contra o outro.

Por essa razão, os diferentes países devem conhecer sua realidade local e, assim, desenvolver e adotar diferentes vacinas para controlar a doença. A liberação de qual sorotipo utilizar em cada país cabe ao Ministério da Agricultura. Exemplos de diferentes sorotipos de vacinas contra o VBI são Ark, Mass, Conn, DE, etc). Já, no Brasil, foi feito um estudo epidemiológico e recentemente desenvolvida uma vacina específica para o desafio local chamada cepa BR. Anteriormente, somente o sorotipo Massachusetts era liberado (Mass) no território brasileiro.

O desenvolvimento de uma vacina (produto biológico comercial) é um processo demorado e que exige muito investimento em recursos tecnológicos e industriais. Na maioria das vacinas, o microrganismo original é isolado a partir de um caso de campo e passa por diversos processos laboratoriais de atenuação por passagens consecutivas sobre ovos embrionados ou culturas de tecidos, ou mesmo por manipulação genética, visando remover sua patogenicidade, porém, preservando sua capacidade imunogênica. Este tipo de procedimento laboratorial muda as características do vírus e cada laboratório pode variar o número de passagens e obter vírus específicos ao próprio laboratório com diferentes características.

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Apesar de se apresentar como um processo demorado muitas vezes e de alto investimento, um passo a passo, como o descrito neste texto, sobre o desenvolvimento de vacinas realizados para encontrar saídas que ofereçam o controle mais efetivo de doenças como a citada nesta publicação são essenciais. Assim, não só se mostra importância e se valoriza o papel das vacinas no controle do “velho coronavírus aviário”, bem como no de qualquer outro que surja com o decorrer do tempo

Autor:
Eduardo Muniz - Médico Veterinário | Me. | Dr. | Gerente de Serviços Técnicos e Outcomes Research  – Aves