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O que podemos aprender com o “velho coronavírus avícola”?

A Bronquite Infecciosa das Galinhas (BIG) foi descrita pela primeira vez em Dakota do Norte, Estados Unidos, em 1930, e no Brasil, em 1957. O Vírus da Bronquite Infecciosa (VBI) está presente em todas as partes do mundo onde se tem criação avícola comercial e é capaz de disseminar-se muito rapidamente para aves não protegidas. Embora tenha uma rápida propagação entre as aves industriais, as medidas de controle adotadas foram muito efetivas no controle da doença. A partir daí, pode-se tirar lições importantes quando se pensa em controle da COVID-19 (Doença do Coronavírus 2019).

Os coronavírus pertencem à família Coronaviridae. Nessa família, temos os gêneros Alfa e Betacoronavírus, que geralmente infectam mamíferos, enquanto os Gama e Deltacoronavírus geralmente infectam pássaros e peixes. O Gamacoronavírus, que pode causar a BIG, já é conhecido há muitos anos, não sendo transmitido aos seres humanos e não está associado ao atual surto de coronavírus.

Assim, o “velho Coronavírus avícola”, comumente denominado “vírus da Bronquite Infecciosa” (VBI), já é bastante popular da avicultura industrial e as medidas de controle adotadas têm sido efetivas no sentido de se fazer o controle dessa doença. Essas medidas estão baseadas nas características do agente e são basicamente ações de prevenção e adoção da vacinação.

Esse vírus possui, como todos os outros, pontos fortes e fracos. A maior dificuldade quanto ao controle, no entanto, se dá pelo fato de que ele se dissemina com uma velocidade incrível nas aves. Por outro lado, o “calcanhar de Aquiles” do VBI é o fato de ele ser facilmente neutralizado no ambiente por medidas de higiene, como limpeza com água, sabão e desinfetantes. Esse ponto fraco tem relação com o VBI ser um vírus envolto em um envelope lipoprotéico que é sensível a essas medidas de higiene.

Portanto, os procedimentos de limpeza e desinfecção adotados nas granjas constituem um importante fator de controle quando o vírus está “fora da ave”. Além disso, a vacinação das aves também é um ponto fundamental na estratégia de controle, pois aves não protegidas se infectam muito facilmente e transmitem o vírus com muita rapidez por gotículas contaminadas eliminadas pelo aparelho respiratório. A vacinação é uma ferramenta extremamente efetiva para reduzir a disseminação e bloquear a infecção do hospedeiro susceptível, nesse caso, as aves.

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Dessa forma, essa experiência similar serve como alento e lição a ser tirada e aplicada com o atual surto do novo coronavírus, SARS-CoV-2 (severe acute respiratory syndrome coronavírus 2), que representa um risco global à saúde pública e tem sua propagação por contato próximo de pessoa a pessoa. A OMS (Organização Mundial de Saúde) já demonstrou que o caminho como adotar medidas de higiene é um importante passo para que a disseminação da COVID-19 não continue se acentuando. Uma outra importante saída é a vacinação, no entanto, ainda nada nessa linha surgiu para esse caso.

Autor:
Eduardo Muniz - Médico Veterinário | Me. | Dr. | Gerente de Serviços Técnicos e Outcomes Research  – Aves